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Roncos e apnéia do sono

O ronco pode parecer que é apenas um barulho que incomoda a quem está dormindo ao lado. No entanto, ronco é um problema complexo, que pode causar ruídos de intensidade similar aos de uma esquina barulhenta, com graves reflexos no casamento e no relacionamento social, além de ser sinal de obstrução respiratória, com sérias repercussões no organismo: por não conseguir aprofundar o sono, o roncador tem sonolência durante o dia e redução no rendimento psico-intelectual; por ter reduzida a saturação de oxigênio no sangue, o ronco está frequentemente associado à hipertensão arterial e a problemas cardio-vasculares.

O ronco não tem uma, e sim múltiplas causas, todas relacionadas com obstrução das vias respiratórias, com consequente vibração dos tecidos moles e aparecimento de ruído. Portanto, cada indivíduo ronca por um somatório diferente dessas inúmeras causas.

A causa mais comum entre os roncadores é obesidade relativa, sem querer dizer que o problema é exclusividade dos gordinhos! Os magros também têm os seus motivos para roncar. O fato é que, para respirarmos, precisamos expandir os pulmões contra a pressão positiva do abdome, resultante do gás do tubo digestivo. Para isso, contamos com o auxílio da musculatura respiratória (diafragma, músculos intercostais, abdominais, etc...). Quando estamos em pé, ainda contamos com o auxílio da gravidade, enquanto deitados, dependemos exclusivamente da nossa musculatura. Assim, nos indivíduos obesos, com flacidez muscular, gordura abdominal e muitos gases no tubo digestivo, o esforço respiratório é muito maior. O quadro é agravado após refeições copiosas antes da hora de dormir, nas situações de stress e com a ingestão de bebidas alcoólicas, que relaxam a musculatura em geral.

Esse esforço respiratório soma-se ao estreitamento das vias respiratórias, que pode ocorrer em vários níveis: no nariz (alergias, desvios do septo, pólipos, sinusite, adenóides, ...), na faringe (flacidez do véu do paladar, hipertrofia da úvula -"campainha"- , hipertrofia das amídalas, ...), na produção excessiva de secreções, nos problemas de mandíbula e de oclusão dentária, nos pulmões (fumo, bronquites, ...), etc...

Esse estreitamento pode ocorrer em diferentes graus de intensidade e, nas formas mais graves podem levar à apnéia, paradas momentâneas da respiração, geralmente por colapso do véu palatino ou queda da língua sobre a parede da faringe, num mecanismo valvular. Pacientes com apnéia intensa podem necessitar do auxílio de respiradores de pressão positiva para dormir, evitando a falência de todo o sistema cárdio-respiratório.

Alguns casos, como desvios do septo, sinusites crônicas, polipose nasal e hipertrofia de amídalas e adenóides, podem ser tratados cirùrgicamente. A plástica da úvula e do véu do paladar, conhecida como "cirurgia do ronco", quando o excesso de tecido mucosos e gorduroso, responsável pela vibração e aparecimento do ruído durante a respiração, é removido, pode ser muito útil em alguns casos.

Por outro lado, o paciente deve entender que o tratamento do ronco é um "pacote" de medidas, que incluem emagrecimento orientado, mudança de hábitos, abolir o fumo e o alcool, exteriorizar o stress, atividade física-respiratória rotineira e tratamento clínico das demais causas coadjuvantes.

Cabe ao paciente conhecer a sua doença e ter o propósito de melhorar, controlando duas outras doenças paralelas, a "preguicite aguda" e a "falta de tempo para si mesmo". Cabe ao médico, utilizando todos os recursos diagnósticos de que dispõe, analisar cada caso, oferecendo as melhores alternativas para o tratamento do ronco.